Meu amigo escritor - (Projeto para incentivar a leitura)

 

Descrição do Projeto

1. Pedir aos alunos que leiam um livro de ficção juvenil.

2. Sugerir que os alunos escrevam e-mails ou cartas (manuscritas ou digitadas) para o autor do livro (trabalho assistido), desenvolvendo assuntos variados, à escolha do aluno.

Observação

Se possível, antes de pedir que os alunos escrevam as cartas, convidar o autor a conhecer os alunos.

3. Em aula, pedir ao aluno que leia a resposta que o autor lhe enviou, para seus colegas ouvirem.

4. Fazer um jogo de adivinhações: partindo do conteúdo da resposta, o que o aluno escreveu para o autor?

5. Fazer um debate: a classe concorda com as opiniões emitidas por eles?

6. Em um trabalho conjunto, montar um quadro com as respostas do(a) autor(a).

Principais objetivos

Sensibilizar o jovem a ler e a escrever por prazer.

Comunicar-se e expressar-se em língua portuguesa, escrita (texto manuscrito ou digitado no computador) e oral (apresentação pública), articulando imaginação, memória, sensibilidade e reflexão.

Organizar assuntos diretamente vinculados ao cotidiano de cada um, com coerência e coesão.

Estimular a ler e escrever textos que questionem e expressem opiniões e instiguem ao debate.

Estimular a produção de textos sobre assuntos sociais controversos, visando um entendimento e um posicionamento perante eles, para que se desenvolva nos alunos a capacidade de opinar e de sustentar, ou refutar, posicionamentos.

Incentivar o jovem a passar da iniciativa e autonomia do trabalho individual à solidariedade e respeito às diferenças do trabalho coletivo.


Público alvo

Alunos do Ensino Fundamental, de 4a a 6aª séries de escolas particulares e oficiais.

Responsáveis pelo projeto

Professores de Ensino Fundamental.

Época favorável

Seria interessante que o projeto fosse desenvolvido:

Quando o professor está ensinando aos alunos o gênero “carta pessoal” (4a, ou 5ª séries)

Quando o aluno está lendo um dos livros do autor (a) que foi convidado a participar do projeto.

Duração do projeto

Um semestre letivo (quatro meses), todos os anos.

Produtos finais

A aula ou reunião para mostrar e ler as respostas do(s) autor(es) já pode ser considerada um produto final.

Quadro, montado em trabalho conjunto, com as respostas do(s) autor(es).
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Produto final mais importante

Alunos motivados a ler e escrever.

 

Edith Modesto é educadora, professora universitária
e autora da série Meu Computador, literatura juvenil,
publicada pela Editora Ática.

edithmodesto@uol.com.br

 

 

A Intern-ética

 

...nenhuma função humana desfruta de tanta permanência
como as atividades virtuosas, que são consideradas mais duráveis
do que o próprio conhecimento das ciências. [...]
Aristóteles - Ética a Nicômano

 

 

Sabe-se que a conduta humana é suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, até de modo absoluto. No entanto, o modo como a Internet tem sido usada nos sugere que o rápido desenvolvimento da tecnologia torna os indivíduos desnorteados eticamente. Por esse motivo, parece-nos oportuna uma reflexão sobre a intern-ética, ou seja, sobre a ética relativa ao ciberespaço.

Tudo indica que o imenso poder dessa nova mídia originou o mito de que existem dois mundos: o mundo real e o mundo cibernético. E essa construção ilusória foi definida e incentivada por professores, jornalistas e especialistas em informática. Por exemplo, no seu livro, “Code and Other Laws of Cyberspace” (Código e Outras Leis do Ciberespaço), lançado em 1999, nos EUA, o professor de direito da Universidade de Harvard, Lawrence Lessig, para alertar sobre os perigos da manipulação comercial na Internet, determinou metaforicamente dois mundos, cada um deles com suas leis: o mundo real e o mundo cibernético. Nos jornais e na televisão, cansamos de ler e ouvir falar de empresas virtuais, comércio virtual (sic!)... Infelizmente, por conta dessa utopia, comportamentos que seriam impensáveis no cotidiano têm sido considerados aceitáveis on-line.

São muitos os que, por equívoco, crêem e se comportam como se o tal mundo virtual fosse um mundo de fantasia, um mundo de faz-de-conta, onde tudo é possível. Nesse caso, obviamente, as nossas antigas regras de comportamento não nos serviriam mais. Esses confundiram virtualidade, uma possibilidade de que algo se realize, com magia.

Além disso, possivelmente em decorrência, surgiu a confusão entre o virtual e o eletrônico. Por um passe de mágica, o meio eletrônico passou de meio concreto de circuitos eletromagnéticos a virtual, entrando assim para o mundo encantado do faz-de-conta. Por exemplo, a correspondência enviada pelo correio comum ou pelo correio eletrônico da Internet são ambas mensagens concretas: são recebidas, são lidas. Elas somente vieram através de meios físicos diferentes. Os suportes das mensagens também são diferentes: o papel em que a mensagem estava escrita; a tela do computador. Não tem nada de virtual, muito menos de mágico ou de faz-de-conta.

O virtual não passa de um produto do meio eletrônico. Assim, nos bate-papos (chat) pela Internet, as pessoas são de carne e osso e as mensagens existem, mesmo que mentirosas. Só o lugar do encontro, a sala de bate-papo, é virtual. Essa virtualidade é conseqüência esporádica do meio eletrônico e as crianças, então, diriam que a sala é de faz-de-conta.
No comércio eletrônico, por exemplo, na compra de um CD, a compra foi concreta, pois o cliente vai pagar, com dinheiro ou cartão, e ele espera que o disco, entregue pelos meios convencionais, esteja perfeito. Sempre em decorrência do meio eletrônico, o virtual é a loja: sem paredes ou prateleiras concretas. As crianças diriam que é uma loja de faz-de-conta.
Enquanto as grandes empresas se autodenominam “empresas virtuais” e dizem que praticam “comércio virtual”, Bill Gates não incorreu nesse erro. Em entrevista publicada nos grandes jornais do mundo, no ano passado, ele comentou a importância do “correio eletrônico”, do “comércio eletrônico” e comparou as “lojas virtuais” com aquelas em que “fazemos compras fisicamente”.

Assim, vemos que falar de dois mundos, real e cibernético, se não for metáfora, é ignorância ou “história da carochinha”. Mesmo como força de expressão, esse reforço utópico deveria ser evitado, pois anda confundindo bastante os adultos. O que dizer dos jovens?

Apesar de os nossos valores éticos básicos continuarem os mesmos, fora ou dentro do ciberespaço, temos de convir que a vinda da Internet, como um complemento importante do nosso antigo mundo, criou novas exigências éticas para nós. Por dois motivos principais:

O primeiro é que nunca as pessoas puderam ficar tão incógnitas, no ato de se comunicar umas com as outras, como agora. Se alguém desejar, pode ficar anônimo completamente: não se vê sua fisionomia e sua letra; não se ouve a sua voz; não se tem certeza de sua identidade, do que faz, de onde é... As pessoas nunca tiveram um ambiente tão favorável para mentir! Considerando isso, o único problema, na nossa opinião, é o da orientação das crianças, porque os adultos, ou já têm ética, ou não a têm, independentemente do surgimento da Internet.

O segundo motivo é que todo usuário da Internet pode ser um pouco jornalista. Incógnita, qualquer pessoa com acesso à Internet, se quiser, divulga informações para um grande público, mesmo sem estar preparada para isso.
As conseqüências desses fatos são evidentes. Se, antes da Internet, as intrigas eram boca a boca, por carta, por telefone, e já faziam bastante mal..

Nos tempos atuais, há duas maneiras principais de se praticar o crime eletrônico:

A primeira é a espionagem. Por um passe de mágica, perdemos completamente a privacidade. Governos, empresas, hackers ou familiares, entram nos computadores ? governamentais, empresariais ou pessoais ?, e acabam por conquistar o seu objetivo final: adquirir mais poder sobre os outros.

A segunda é a difamação. Vingança ou brincadeira, numa incrível rapidez, os boatos mentirosos atingem centenas, milhares de destinatários, ou mais, ao mesmo tempo! Para consolo, só nos resta esperar que, com o tempo, a tendência seja os boatos eletrônicos descerem ao seu nível de mexericos e se equipararem aos trotes telefônicos, que mais aborrecem a gente do que nos prejudicam.

No mais, na nossa opinião, em grande parte, essa questão não é, a princípio, técnica e política, como quer o professor Lessig, acima citado, nem eminentemente jurídica ou policial, como querem outros. É antes de tudo uma questão ética.

Há muitos séculos, Aristóteles já advertiu a primazia de nossas virtudes perseverantes, como que profetizando o fascínio que exerceria sobre nós a tecnologia atual, produto do surpreendente desenvolvimento científico dos últimos anos.

 

Edith Modesto é educadora, professora universitária
e autora da série Meu Computador, literatura juvenil,
publicada pela Editora Ática.

edithmodesto@uol.com.br